6 de setembro de 2011

Cimento queimado, o bruto que também tem classe.



De aspecto rústico, o cimento queimado conquista fãs e espaço em projetos modernos pela facilidade de execução e efeito estético ousado.





Na memória da maioria das pessoas, o cimento queimado pode estar associado aos pisos vermelhos das casas de cidades do interior ou regiões rurais, em que o aspecto brilho encerado era sinônimo de capricho e zelo.

Hoje, quando se fala no uso do material bruto de cor cinza, a ideia que se tem é de um produto que combina com o estilo contemporâneo e prático, sem perder em elegância, como apontam os arquitetos Antonio Ferreira Jr. e Mario Celso Bernardes. Versatilidade de uso e facilidade de manutenção são outras facetas positivas do cimento, aponta o arquiteto Fernando Biagi.

No entanto, algumas características devem ser levadas em conta na hora de optar pelo material. Segundo Fernando, é preciso aceitar que o cimento queimado apresenta características ''impossíveis de superação'', tais como microfissuras e nuances, também chamadas de manchas. Por isso, o arquiteto recomenda lixar e impermeabilizar o cimento que vai em pisos como medida preventiva.

Mas o assunto divide opiniões. O arquiteto Guilherme Torres gosta tanto de cimento que optou pelo uso do material em sua casa e escritórios. ''Aprovo e recomendo. Meus clientes adoram'', ressalta. Para ele, as ''imperfeições'' caracterizam o produto como rústico, e portanto são seu principal atrativo. ''Infelizmente as pessoas querem resultados impossíveis e soluções simples. Acho engraçado quando falam isso. Afinal, se as pessoas têm manchas na pele e rugas, por que o piso não teria?'', opina.

A sugestão de Guilherme, nos casos em que o cliente prefere uma alternativa sem fissuras, é optar pela escolha do cimento polimérico, que tem base elástica, impedindo a formação de trincas. O produto é aplicado como se fosse uma massa corrida sobre qualquer superfície, mas tem custo mais alto, de aproximadamente R$ 130/m2.

O custo do cimento queimado comum é variável, avisa o arquiteto. Tudo vai depender da fase em que o produto será aplicado. No caso de uma reforma, a obra ficará mais cara, pois será preciso levar em conta a mão de obra de demolição dos pisos existentes, regularização do contrapiso, entre outros detalhes. ''Em contrapartida, em uma construção nova a base de cimento é a fase de preparo para receber qualquer tipo de revestimento, ou seja, já estará inclusa no custo global de mão de obra'', explica.

No living da casa do arquiteto Guilherme Torres, o cimento queimado aparece no piso e reveste paredes e mesa de jantar, que funciona também como área de trabalho. A escolha garantiu unidade e ampliou o espaço, destacando os objetos da casa. A mesa Half, da linha de mobiliário de Guilherme, foi reproduzida com estrutura em concreto.

A reforma da casa de Guilherme Torres, que durou 50 dias, resultou em uma linguagem rústica, despreocupada com os acabamentos e de fácil manutenção. A tubulação aparente e o cimento queimado traduzem a mudança, já que não exigem pintura e quebra-quebra de paredes. A bancada construída no hall de entrada do escritório de Guilherme em Londrina foi revestida de cimento queimado.


Para atender ao pedido dos clientes - um casal sem filhos acostumados a receber amigos para jantares - os arquitetos Antonio Ferreira Jr. e Mario Celso Bernardes decidiram projetar a área social com poucas paredes. A cozinha é integrada às salas, com piso feito em cimento queimado e paredes com blocos de concreto aparente.

Na parte íntima da casa (piso superior), onde ficam quarto, sala de TV e banheiro, foi mantido o estilo rústico e clean.

Na loja Di Biagi, localizada no Shopping Com-Tour, os arquitetos Fernando Biagi e Fernando Kurique aplicaram cimento queimado ao piso, com juntas de dilatação de 1m x 1m, para evitar fissuras. O aspecto rústico foi um pedido do cliente, por isso a escolha pelo revestimento de madeira das paredes onde ficam as araras.

No fundo da loja, a escada que interliga os pisos também recebeu cimento queimado, assim como os vasos do jardim. Segundo Fernando Biagi, para chegar à cor ideal, foram misturadas porções de cimento nos tons de ''cinza'' e branco.
Fonte: Associação Brasileira de Cimento Portland.

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