24 de março de 2012

Cresce a Compra de Imóveis através de Consórcios.






Atentos ao aumento da demanda por imóveis, bancos mais do que dobraram o valor máximo da carta de crédito.











O segmento de consórcios está se adaptando ao boom do mercado imobiliário. Os dois maiores bancos do País, Banco do Brasil e Itaú Unibanco, mais que dobraram o valor máximo da carta de crédito, passando de R$ 300 mil e R$ 250 mil, respectivamente, para R$ 700 mil.

“Os clientes procuravam contratar mais de uma carta de crédito para adquirir o imóvel, assim criamos o grupo para atender a demanda”, afirma Luis Matias, vice-presidente de consórcios do Itaú Unibanco.

Segundo o executivo, houve uma “forte adesão” em São Paulo, que responde por 35% das cotas. “A valorização imobiliária no estado naturalmente proporcionou essa demanda por grupos com valores mais altos”

O preço médio do metro quadrado de lançamentos com dois dormitórios teve alta de 112% na capital paulista nos últimos cinco anos, segundo a Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio.

O diretor de empréstimos e financiamentos do BB, Marcelo Augusto Dutra Labuto, também aponta que o público-alvo são clientes que vivem em regiões onde o preço dos imóveis teve forte alta. 

“Além disso, foi identificado um crescente interesse na aquisição de imóveis comerciais, que possuem geralmente um custo total mais elevado”, acrescenta. Outros bancos que atuam no setor - Bradesco, Caixa Econômica Federal, HSBC, Santander, mantêm produtos até R$ 300 mil.

Francisco Coutinho, diretor-executivo da Rodobens Consórcio, empresa que atua no segmento com limite de R$ 400 mil, afirma que os interessados nas cartas com maior valor são pessoas que buscam um “upgrade” na casa própria. 

“Geralmente, são famílias que já têm imóvel próprio e adquirem o consórcio para mudar para um maior ou mais bem localizado”.



Para William Rachid Junior, superintendente da área de consórcio da Porto Seguro, os R$ 400 mil de teto oferecidos pela empresa são suficientes para atender o mercado porque, acima disso, seria “mais difícil fechar a conta”, referindo-se ao fundo comum. 




Esse fundo é constituído a partir do pagamento das parcelas de todos os consorciados, com o objetivo de efetuar os pagamentos dos bens adquiridos pelos contemplados por sorteio ou lance.

Modalidade não concorre com crédito imobiliário, asseguram instituições financeiras, as instituições financeiras não consideram que o consórcio seja um concorrente do crédito imobiliário porque os focos são públicos diferentes. 

O consórcio é mais indicado para quem precisa do bem apenas a médio ou longo prazo, já que, se não for sorteado logo ou conseguir arrematar a carta de crédito ao dar um lance, o cliente pode ter que esperar mais de 16 anos para ter o dinheiro, “caso do Banco do Brasil, com prazo máximo de 200 meses”.

“Enquanto o cliente de consórcio tem um perfil de planejamento financeiro, o público tomador de financiamento possui uma característica mais imediatista”, compara Marcelo Dutra Labuto, diretor do Banco do Brasil.

Na modalidade, não há cobrança de juros, portanto, o custo final é menor do que no financiamento habitacional, mas os interessados devem olhar com atenção redobrada a taxa de administração. 



Outro item importante a ser considerado no cálculo para definir a melhor opção é o fundo de reserva, nas empresas pesquisadas pela reportagem, o percentual sobre o valor da carta de crédito varia de zero a 5%.




Os especialistas preferem não indicar um percentual de lance que vai garantir a contemplação, mas há dicas que podem ajudar a usufruir melhor do produto. 

“Os percentuais variam muito de acordo com o grupo e, principalmente, com o prazo restante. Geralmente, nos primeiros meses, os lances são mais altos, já que é o momento em que as pessoas com maior necessidade e poder financeiro fazem ofertas maiores para adquirir logo seu bem”, explica Luís Matias, do Itaú Unibanco.

Para Paulo Roberto Rossi, presidente da entidade, a modalidade deve continuar crescendo. “O cenário econômico faz as pessoas pensarem a médio e longo prazo”, afirma.


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Fonte: Jornal do Comércio

Edição e Publicação | Equipe | Imovel e Dicas

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